Explicando o Blockchain com analogia

Estou replicando o post de Israel Finardi.
Fonte:
https://medium.com/@israelfinardi/explicando-o-blockchain-de-forma-simplificada-95db056b6bd2

Leo, Júlio, Maria e Elsa são quatro estudantes que moram na mesma república em Florianópolis. Como em quase toda república espalhada pelo Brasil, é uma guerra na hora de saber quem vai lavar os pratos sujos de Miojo. Os estudantes tentaram implantar um sistema de revezamento, mas foi um fracasso fenomenal: Júlio é o maior malandro, Leo distraído, Maria coincidentemente nunca está em casa na sua vez de lavar os pratos. Elsa é maior cri-cri e toda vez que tem visita pra jantar na vez dela lavar a louça ela argumenta que ficou em desvantagem, que trabalhou mais que os outros e quer descontar o trabalho extra na outra semana. No fim ninguém entra em acordo e é a senhoria que tem que decidir com mão de ferro quem vai lavar os pratos.

Pra resolver a este problema a senhoria teve uma ideia simples, porém genial: ela inventou de dar fichinhas coloridas a cada um dos estudantes (cada estudante com sua cor) e construiu um longo tubo transparente e indestrutível que ela chumbou ao chão da sala (tá bom, a ideia não era tão simples assim, mas vai seguindo o raciocínio).

Quando um estudante termina de lavar os pratos ele deposita uma fichinha no tubo pra ficar registrado que ele cumpriu com sua parte no revezamento. Pra evitar trapaças só é possível colocar uma fichinha no tubo se três dos quatro estudantes estiverem presentes, pois na tampa do tubo tem quatro cadeados onde cada estudante tem a chave para um deles.

Cada fichinha só pode ser colocada no tubo com o consentimento de pelo menos mais dois estudantes, que só permitem que isso aconteça depois de checarem que a pessoa realmente lavou os pratos e deixou a cozinha limpa. Como o tubo é inviolável e indestrutível, cada fichinha vale como registro eterno de que aquela louça foi lavada naquele dia. E basta uma olhadinha no tubo pra saber quem é o próximo a ter que lavar os pratos. É o tubo da verdade!

Infelizmente, o sistema só funciona se todos forem honestos. Se dois dos estudantes resolverem agir de má fé e se recusarem a abrir seus cadeados pro cara que acabou de lavar os pratos, o sistema deixa de funcionar. Agora, esse risco seria diminuído se morassem nessa república 1000 estudantes em vez de 4, pois as chances de que 50% estivessem agindo de má fé cairiam consideravelmente.

Mas claro, um tubo com 1000 cadeados na sala seria impraticável. Onde a galera vai dormir no carnaval? E se a gente pudesse usar a tecnologia pra utilizar este mesmo princípio no mundo virtual?

Bom, essa tecnologia existe e se chama blockchain. O blockchain nada mais é que um grande arquivão, consultável e transparente como nosso tubo, onde a gente pode “empilhar” registros da mesma maneira que os estudantes de Floripa empilhavam fichinhas. A estes registros nós damos o nome deblocos. E à essa cadeia de blocos damos o nome de…. blockchain! Tchãrã!

Assim como acontecia com as fichinhas no tubo, uma vez um registro é adicionado ao blockchain ele não pode ser retirado nunca mais, passa a ser verdade eterna e absoluta! (claro que no Brasil eventualmente vai aparecer algum juiz querendo apagar registro de blockchain por ordem judicial, quem viver verá!)

Naturalmente isso aqui é uma simplificação e a realidade tecnológica do blockchain é muito mais complexa, envolve criptografia, resolução de problemas matemáticos complicados, redundância da cadeia, etc. Mas conceitualmente o funcionamento do blockchain é semelhante ao do nosso tubão, que, trabalhando na base do consenso permite aos estudantes eliminar a necessidade de se confiar às cegas uns nos outros ou de depender de uma autoridade central. Pense por exemplo na principal aplicação do blockchain hoje em dia, que é viabilizar a existência de criptomoedas como o Bitcoin. Nessas moedas, cada operação fica registrada no blockchain, eliminando assim a necessidade de uma instituição financeira central validando cada transação.

Bitcoins e moedas virtuais não são as únicas aplicações do blockchain. Sua natureza transparente e descentralizada, somadas à sua capacidade de prover informação irrefutável e irreversível permitem diversas aplicações como por exemplo gerenciamento de propriedade (pense se a escritura de sua casa ficasse registrada em um blockchain — seria o fim dos cartórios!), confirmação de identidade/documentos, validação de votos, enfim, qualquer lugar onde você precisa de um registro confiável de informações.

Blockchain, o maior legado do Bitcoin.

O sistema bancário atual não foi desenhado para o mundo digital. Embora os canais tenham sido em parte digitalizados, a forma como os registros das transações foram modelados é voltada para o mundo analógico. Os dados precisam estar super protegidos, em ambientes próprios e centralizados, que exigem altos investimentos e uma cara manutenção, além de estarem susceptíveis a ladrões e hackers.

E o Bitcoin tem se mostrado a solução para isso.

O Bitcoi né uma criptomoeda e sistema de pagamento online baseado em protocolo de código aberto que é independente de qualquer autoridade central. Um bitcoin pode ser transferido por um computador ou smartphone sem recurso a uma instituição financeira intermediária. O conceito foi introduzido em 2008 num white paper publicado por um grupo ou alguém com o pseudônimo de Satoshi Nakamoto que o criou e o chamou de sistema eletrônico de pagamento peer to peer (p2p).

Uma Block chain ou blockchain é um livro-razão público de todas astransações bitcoin (ou de criptomoedas) até então realizadas. Está constantemente crescendo à medida que novos blocos completos são adicionados a ela por um novo conjunto de registros. Os blocos são adicionados à blockchain de modo linear e cronológico. Cada nó — qualquer computador que conectado à rede bitcoin tem a tarefa de validar e repassartransações — obtém uma cópia da blockchain após o ingresso na rede bitcoin. A blockchain possui informação completa sobre endereços e saldos diretamente do bloco gênese (primeiro bloco criado) até o bloco mais recentemente concluído.

A blockchain é vista como a principal inovação tecnológica do bitcoin visto que é a prova de todas as transações da história da rede. Seu projeto original tem servido de inspiração para o surgimento de novas criptomoedas semelhantes ao bitcoin e de bancos de dados distribuídos e anônimos.


BlockChain Pública ou Privada??

A maior diferença é a permissão em participar na rede (executar o protocolo de consenso e manter o livro razão compartilhada) como um minerador ou validador. Mas isso é uma escolha muito particular para a situação em que se deseja aplicar.

PÚBLICA: qualquer um pode participar da rede e visualizar as transações que ocorrem. Os mineradores (quem valida os blocos) podem deixar de ser um nó e depois voltar no momento que deixaram. Todos os nós possuem o mesmo poder de transmissão, sem privilégios. Nesta rede é necessário pagar taxas para incentivar que venham novos mineradores para resolver as transações. Um exemplo é a rede Ethereum.

PRIVADA: Geralmente é usada em meio corporativo, porque desta forma nem todos terão acesso a essa rede. A rede poderá ser compartilhada entre varias empresas, com cada uma com os seus nós. Mas as redes privadas requerem permissões para ler as informações na sua cadeia. Limitar as partes que podem fazer transações, definir quem pode estar presente na rede e escrever novos blocos. Os participantes existentes podem decidir quais serão os futuros participantes, emitindo licenças. Só quem participa da transação conseguirá ver a transação realizada. Exemplo de rede privada é a hyperledger, código não aberto, a confirmação da transação é mais rápido.

O que é blockchain?!?!

Neste blog estarei escrevendo de forma simples sobre a tecnologia blockchain. Acredito que será de facil entendimento. Pretendo me esforçar (haha) pra fazer um post por semana.

Um post complementará o outro, então, só seguir que tudo vai ser entendido.

Então vamos para o que nos interessa. O blockchain nada mais é que analogicamente um livro contábil armazenado em várias bibliotecas. Mas tecnicamente é uma tecnologia que consiste em uma cadeia de blocos.

A cadeia de blocos (BlockChain) é um grande banco de dados, público, remoto e inviolável, podendo ser registrado vários arquivos. Cada item armazenado é datado e dá origem a uma espécie de assinatura formada por uma sequência de letras e números. E deixando claro o Bitcoin é um software que roda sobre a tecnologia.

Cada bloco contem um conjunto de transações que são trancados por uma forte camada de criptografia. Por outro lado, a BlockChain é pública, ou seja, qualquer pessoa pode verificar e auditar as movimentações registradas nela.

O bloco possui uma assinatura digital (hash), funciona como um identificador único, desta forma a garantia criptográfica que as informações do bloco não são violadas. Na criação de um novo bloco é carregado a hash do bloco anterior para assim junto com as transações ser gerado a hash final.

ilustração dos blocos

Vamos terminar por aqui, pois haverá muitos conceitos a ser explicado.